O Ensino da Filosofia
Iniciando como professora do curso de Filosofia para o Ensino Médio e a EJA, consegui observar através do contato direto com os alunos, o quanto a Filosofia pode ajudar o desenvolvimento intelectual desses que estão em fase de transição, já envoltos com a preocupação de adentrar em um curso superior. Citando já de inicio René Descartes, com sua magnânima afirmação já no final do séc. XVI e meados do séc. XVII, “Penso, logo existo”, elaborei trabalhos e avaliações para averiguar o nível de interesse das turmas com a Filosofia e o que ela pode proporcionar, na intenção de tirar o rotulo de disciplina “desnecessária” que muitos tinham.
Não quero furtar a importância das outras ciências existentes nas grades de ensino, mas sim, ressaltar a importância da Filosofia em todas as modalidades de escolarização. A objetividade que as ciências passam aos estudantes é fundamental. Porém o individuo é composto de pura subjetividade, não podendo deixar passar despercebida, uma vez que cada ser tem um caminho diferente a seguir, onde encontrarão contingências, facticidades que por diversas vezes os deixarão incertos, mas sendo desde cedo preparados para enfrentá-los estarão mais conscientes e firmes em seus propósitos, atingindo quase a inabalável certeza da vitória.
Nem podemos deixar a erudição Filosófica fora do contexto de ensino da Filosofia, mas devemos priorizar os postulados deixados pelos grandes Filósofos que se adéqüem a atualidade, de acordo com o lugar e tempo que estão vivenciando. Os alunos estão conseguindo ver através de uma “janela’, que antes não passava de uma “abertura” nas paredes do desconhecimento luzes clareando suas indagações, e dúvidas que não são mais obstáculos em seus caminhos, por estarem aprendendo com a arte de pensar organizar suas ideias, mesmo que o mundo lá fora não tenha entendimento do que elas representam e ainda que não sejam aceitas por muitos, a capacidade que adquirem através da Filosofia, não os deixam desanimar, pela certeza da possibilidade que antes eles não conseguiam enxergar por estarem com as “janelas” ainda fechadas
Essa dissertação que faço, não tem o intuito de colocar a Filosofia como salvação do mundo, mas como realidade do que somos e podemos vir-a-ser, vendo nossos desejos realizados, pois ao valorizar nossa existência, independente de sua finitude, somos seres livres para pensar, e essa liberdade de pensamento não é provida de limites, ultrapassando obstáculos que são inevitavelmente nato de um ser limitado pelas normas que a sociedade onde vivemos estabelece.
Não deixando de cumprir essas normas sociais, mas utilizando seus limites para ilimitadamente crescer como individuo em busca de realizações que encontramos quando temos o conhecimento de sermos seres de possibilidade, e que na realidade somos “nós” o maior dos obstáculos que temos a enfrentar. O Ensino da Filosofia, busca resgatar a real participação do homem no mundo social. Pois, o homem que pensa se abstrai das utopias e reage como fonte fidedigna de seus desejos e propósitos para um bem estar pessoal e social.
O individuo pensante sabe como agir, e tem a convicção que se agir sem pensar, estará fora do verdadeiro sentido de sua existência, mergulhando na escuridão do desconhecido, pelo prazer insaciável da ambição desmedida, se afundando num lamaçal de amoralidades e desprazeres, se tornando escravo de si mesmo.
Concluindo:
NÃO BASTA ENSINAR A FILOSOFIA,
É NECESSÁRIO APRESENTÁ-LA AOS ALUNOS,
PARA QUE ELES VEJAM SEU REAL VALOR
NO MUNDO EM QUE VIVEM.
Isabel Cristina da Costa
Professora de Filosofia da Escola Estadual Barão do Retiro
Chácara / Minas Gerais
